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![]() Assegura Roberto Macedo: “Penso que ainda podemos crescer mais.” |
Palestra na LEX Editora
Roberto Macedo, doutor pela Universidade de Harvard, fala para empresários e administradores sobre os cenários macroeconômicos global e nacional e perspectivas para o Brasil.
A gradual diminuição da dependência econômica brasileira dos Estados Unidos é o cenário mais provável que se desenha diante dos indicadores nacionais e internacionais dos últimos anos. O entendimento é do economista e professor Roberto Macedo, doutor pela Universidade de Harvard (EUA) e consultor atuante nos setores público e privado.
Em palestra promovida pela LEX Editora, Macedo falou sobre os reflexos dos cenários econômicos global e nacional na gestão empresarial. “Se em 2006, com negócios internacionais que somaram cerca de US$ 1 trilhão – inseridos num montante global de US$ 19 trilhões –, o Brasil escapou do desequilíbrio externo, agora, mesmo no momento em que os EUA sinalizam a inevitabilidade de uma crise de maiores proporções devida principalmente aos financiamentos imobiliários subprime, a economia brasileira não tem tanto a temer”, observa.
Crescimento
Segundo o especialista, o crescimento constante da economia brasileira desde 2000, acompanhado de superávits da balança comercial, queda das taxas de juros e melhoria no perfil do déficit do governo e da dívida pública são sinais de que o País está conseguindo um equilíbrio positivo. Além disso, assinala, a entrada crescente de investimentos estrangeiros vem confirmar a boa performance. “Mas penso que ainda podemos crescer mais e que taxas entre 6% e 7% ao ano são possíveis”, sugeriu, lembrando a previsão de 4,5% para este ano.
Ele chama a atenção, entretanto, para o comportamento do câmbio, destacando que a macroeconomia é bastante sensível a quaisquer oscilações da taxa.
Amplitude do decoupling
Vale observar que, quando o economista comenta sobre a diminuição da dependência brasileira dos EUA, ele aposta muito mais, não no descasalamento entre os dois países (o chamado decoupling), mas numa dependência comercial menor. “O descasalamento financeiro será sempre menor que o comercial, até porque o peso dos EUA no mundo financeiro ainda
é muito forte”, sentencia. Lembra, ainda, que os países avançados estão perdendo em crescimento econômico.
Como a globalização financeira é significativamente maior que a comercial no mundo, Macedo pontua que os efeitos macroeconômicos de demanda, câmbio e juros terão interferências específicas em cada diferente setor da atividade econômica. Observa, ainda, que bens de capital importados ou exportados são os segmentos mais afetados.
As commodities, assinala o economista, definirão a amplitude do decoupling. “Hoje, somos escravos das commodities”, afirma. E acrescenta que não haverá preconceitos em relação à agricultura, como no passado. Ele acredita que o aumento da demanda por alimentos aponta para uma elevação das commodities nesse setor. Diante desse cenário, a volatilidade da Bovespa torna-se inevitavelmente maior.
O economista lança algumas dúvidas também sobre a forma a ser adotada pelo governo para conter a demanda crescente. “Política fiscal? Está certo, o governo deveria gastar menos, mas isso será possível num ano eleitoral? Tenho minhas dúvidas.”
Outra dica para os administradores e empresários é acompanhar de perto a reforma tributária em curso no Congresso. Sobre o câmbio, Macedo acredita que a política brasileira cuidará de evitar maiores danos à indústria nacional e aos exportadores, “mas sempre com medidas pontuais.”